Arquivo da Categoria ‘Sem categoria’

Teologia Aberta

terça-feira, 13 de abril de 2010

Teologia Aberta: Deus de olhos fechados

Uma crítica ao Neoteísmo

 

Vivemos um momento no mínimo curioso, visto que os homens querem “reinventar” Deus. A idéia, por si só, é absurda pois um dos conceitos fundamentais da teologia ortodoxa é que Deus não foi inventado, Ele sempre existiu! A conclusão é simples e lógica: não se pode reinventar aquilo, ou melhor, Aquele que não foi inventado mas sempre existiu. Mas o ser humano é criativo e capaz das façanhas mais mirabolantes para explicar o que não entende, ou até mesmo discordar, para se sentir inteligente, talvez baseado na máxima de Nelson Rodrigues de que ‘toda unanimidade é burra’. Seja como for e por motivações que não conhecemos, surgiu a Teologia Aberta, uma teologia que apresenta um Deus de olhos fechados, isso mesmo, um Deus que não conhece o futuro como conhecia antigamente.

 

Esta tentativa de reinventar a Deus também conhecida como Neoteísmo tem sido propagada no Brasil por pregadores brasileiros e por escritores como Clarck Pinnock, Richard Rice, John Sanders, William Hasker e David Basinger. De fato, eles trabalharam juntos num volume intitulado “The Openness of God” (literalmente: A Abertura de Deus).

 

Estudiosos concordam que esta doutrina é resultado de uma combinação de aspectos do pananteísmo ou teologia processual, visto que no neoteísmo Deus está em contínuo processo de mudança[1].

Não obstante os esforços dos proponentes para que este novo conceito sobre Deus seja recebido como teísmo ortodoxo, a verdade é que estão muito distantes disso. Dentre os vários aspectos desta nova doutrina destaco os seguintes:

 

  1. Deus escolheu criar os seres humanos com ‘incompatibilística’ liberdade, sobre a qual ele não pode exercer total controle.
  2. Deus valoriza tal liberdade a ponto de não interferir sobre ela, mesmo que esta produza resultados indesejáveis.
  3. Deus não possui conhecimento exaustivo a respeito de como utilizaremos nossa liberdade, ainda que algumas vezes possa predizer com exatidão as decisões que tomaremos livremente.

 

A questão se torna extremamente séria quando, ainda que veladamente, os proponentes desta teologia afirmam que Deus é temporal, mutável, tem o potencial de tornar-se e não tem conhecimento infalível. Como se não bastasse, não tem controle absoluto do mundo e é capaz de aprender.

 

Um exemplo desta interpretação grosseira pode ser vista em Boyd, Sanders e Pinnock ao comentarem Gênesis 22:11,12:  “Mas o anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.” Dizem eles:

 

Boyd: “O versículo claramente afirma que porquanto Abraão fez o que fez, assim o Senhor agora sabe que ele era um parceiro fiel na aliança. O versículo não teria sentido claro se Deus estivesse certo que Abraão o temia mesmo antes de ter oferecido seu filho.[2]

Pinnock afirma: “Esta era uma parte de informação que Deus desejava assegurar-se.[3] 

Sanders:  “Deus precisava saber se Abraão era o tipo de pessoa com quem Deus poderia contar como colaborador no cumprimento de seu divino projeto. Seria ele fiel? Ou teria Deus de encontrar algum outro através do qual pudesse cumprir seu propósito?[4]

 

Noutras palavras, Deus estava, por assim dizer, roendo as unhas para saber se Abraão seria fiel ou não, mas consideremos o seguinte:

§         Se a frase “agora sei” for entendida como propõem aqueles que advogam a Teologia Aberta, seria uma contradição direta ao claro ensino das Escrituras do conhecimento exaustivo de Deus.

Salmo 147:5, Isaías 46:9-11, Salmo 139:1-6, Hebreus 4:13.

 

§         Seria razoável dizer que Deus só pode conhecer a fidelidade de Abraão porque ele levantou a faca? O que dizer da conduta anterior de Abraão? O que dizer de sua conduta no passado? Tal interpretação não só fere o conhecimento do futuro, mas ainda compromete o conhecimento do passado[5].

 

O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. Assim isso lhe foi também imputado como justiça”. (Romanos 4:18-22)

 

Esta passagem demonstra que a fidelidade de Abraão já era conhecida antes mesmo de Sara e Abraão segurarem Isaque em seus braços!

         Em Hebreus 11:8-12; 17-19, temos uma belíssima descrição da fé de Abraão começando com o seu chamado em Ur dos Caldeus até o quase consumado sacrifício de Isaque. Abraão cria que Deus ressuscitaria Isaque dentre os mortos (Heb. 11:19). Isso ficou claro quando este pediu aos seus servos que o aguardassem junto ao jumento, e se foi com Isaque prometendo que ambos voltariam (Gên. 22:5). Estas informações estavam todas disponíveis para Deus antes que Abraão levantasse aquela faca.

         Se este incidente deveria revelar a Deus a fidelidade de Abraão, qual seria a garantia que ele não falharia no futuro? (Se Deus não sabe o futuro) Deveria haver outros testes?

         Se Deus não é Onisciente como sabia que naquele momento Abraão estava disposto a enterrar a faca no seu próprio filho? A intervenção divina deixa claro que Deus sabe de todas as coisas, portanto a passagem deve ser entendida à luz de seu contexto.

 

O fato é que o episódio em questão trazia benefícios para Abraão e não para Deus, como Delitzsch comenta:

 

 “(…) Assim como quando ele (Abraão) deixou seu país, familiares e lar por ocasião do chamado de Deus (12:1), também estava ele em sua caminhada com Deus pronto a oferecer até mesmo seu próprio filho, o objeto de toda sua espera, a esperança de sua vida, a alegria de sua velhice. E ainda mais que isso, ele não apenas amava Isaque, o herdeiro de suas possessões (15:2), mas era sobre Isaque que todas as promessas de Deus repousavam: em Isaque será chamada a sua descendência (21:12). Pela solicitação de que ele deveria sacrificar a Deus seu único filho de Sara, sua esposa, em quem a sua semente deveria crescer e se tornar uma multidão de nações (17:4,6,16), a divina promessa em si mesma parece ser cancelada; também não apenas os desejos do seu próprio coração, mas também a repetida promessa de Deus seria frustrada. E por esta solicitação sua fé seria aperfeiçoada em uma confiança incondicional[6] em Deus, firme segurança de que Deus poderia até mesmo ressuscitá-lo dentre os mortos. (…)” [7]

 

Além disso, é importante notar que a ênfase sobre Deus “saber” algo como se ele não soubesse previamente seria passar de largo na dinâmica divino-humana e na relação finito e infinito entre Deus e homem. Como bem apresentou Geisler:

“A palavra Hebraica ‘saber’ em Gênesis 22:12 é o Qal[8] de [dy9 yada’ (LXX ginw&skw ginosko), expressando apenas a confirmação do seu conhecimento (Wenham 1994; Gên. 22:12).”

 

Um outro caso em que esta palavra é utilizada em Gênesis encontra-se no capítulo 4:1, quando nos é dito que Adão ‘conheceu’ sua esposa e ela concebeu, a palavra ali é também yada’ e indica a mais íntima relação entre um homem e uma mulher, o ato sexual. A palavra poderia também descrever um conhecimento mais profundo. Por assim dizer, Deus estreitou o relacionamento de Abraão consigo mesmo. Portanto ‘saber’ nesta passagem não significa que Deus tenha recebido uma informação de que não dispunha anteriormente, mas sim que ela se materializara. Assim, não considerar questões antropomórficas e lexicográficas nesta passagem levará a uma série de equívocos não só aqui, mas também em outras, como por exemplo:

 

Gênesis 18:21

O Deus onipresente diz: ‘Desçamos para ver…’ (Obviamente Deus não precisa descer para verificar algo.)

Gênesis 8

Lembrou-se Deus de Noé...(Deus esqueceu-se de Noé na Arca?)

Gênesis  18:32

Não a destruirei por amor dos dez...(Será que Deus não sabia quantos justos havia em Sodoma e Gomorra?)

 

A conclusão é óbvia: interpretação histórico-gramatical não pode ser, sob qualquer hipótese, confundida com “literalismo”, de fato todos os que se enveredaram nesta direção incorreram em alguma sorte de erro doutrinário. Quando começamos a questionar a infinitude da onisciência divina acabaremos invariavelmente por questionar ou comprometer outros de seus atributos.

 

Portanto podemos concluir que a falsa lógica deste modelo se baseia em algumas passagens isoladas, especialmente do Antigo Testamento, que, para o observador incauto, parecem sugerir que Deus se arrepende ou muda de opinião. É mais que uma interpretação literal, é uma interpretação literalista como a apresentada por Jack Miles em seu livro romanceado “Deus, uma Biografia”. Critérios simples, porém precisos, da hermenêutica e da teologia ortodoxa como a interpretação histórico-gramatical, os cuidados com figuras de linguagem (antropomorfismo, antropopatia, etc) foram postos de lado. Além disso, o neoteísmo ignora um número gigantesco de passagens que clara e explicitamente apresentam Deus como sendo absolutamente onisciente. Acabam assim fazendo uma ginástica monstruosa para harmonizar passagens claras com passagens obscuras[9].

Posso acrescentar ainda que nos rudimentos da interpretação bíblica é fundamental se fazer um estudo das palavras. Por exemplo: Ricardo Shultz  após um detalhado estudo do termo hebraico nacham, freqüentemente traduzido por ‘arrepender-se’, chegou à seguinte conclusão:

 

“Das 34 vezes que o uso de nacham aplica-se a Deus, 26 vezes são afirmações gerais, 8 expressam a compaixão de Deus não enviando juízos sobre os homens. Mesmo quando os homens são sujeitos do verbo nacham, unicamente uma vez envolve diretamente a idéia de arrependimento, porém nenhuma envolve uma mudança intrínseca diante de um novo conhecimento.”

 

A conclusão de Shultz, após um pormenorizado estudo do termo, é que a idéia central simplesmente expressa compaixão por alguém. De forma alguma o termo apresenta um Deus hesitante, indeciso e fraco que muda diante de uma nova informação até então desconhecida. Ao que tudo indica a incoerência hermenêutica da Teologia Aberta deve ser a razão por que nunca tenha sido sustentada historicamente pelos pais da igreja. Os apologistas da fé Cristã sempre sustentaram o conhecimento exaustivo como sendo qualidade essencial de Deus. 

 

Justino Mártir (100-165) afirmava que Deus conhecia desde toda a eternidade aqueles que seriam salvos[10] e, ainda, que Deus conhecia de antemão as pessoas que seriam salvas por arrependimento mesmo antes de nascerem[11]. Cipriano (200-258) fala do pré-conhecimento como atributo do Espírito Santo. Irineu (120-202) fala do pré-conhecimento de Deus a respeito das falsas doutrinas[12]. Poderíamos ir adiante nome após nome e data após data. Exceção são aqueles conhecidos pela história como hereges e não sustentadores da sã doutrina como por exemplo Marcion e Celsus. Justiça precisa ser feita quanto à pressuposição dos proponentes da Teologia Aberta quanto ao pré-conhecimento de Deus explicitamente apresentado nas Escrituras. Greg Boyd tem procurado resolver este problema afirmando que Deus conhece apenas aquilo que Ele determinou e propõe cinco áreas:

 

  1. O povo escolhido
  2. Indivíduos
  3. O ministério de Cristo
  4. Os eleitos
  5. Alguns eventos escatológicos

 

O ponto é que a menos que o texto bíblico apresente especificamente o que Deus conhece, todo o restante não mencionado é desconhecido por Ele. Assim, os eventos pré-determinados por Deus dependem do Seu conhecimento do caráter das pessoas envolvidas e do estabelecimento de determinadas circunstâncias que produzirão a decisão desejada bem como a ação[13].

 

Estranhamente, neste conceito Deus coercitivamente usa determinadas circunstâncias para cumprir Sua vontade e por outro lado deixa uma infinidade de outras situações em aberto. Este conhecimento parcial, este olho de vidro gera sérios problemas, por exemplo: Jesus sabia que o Pedro o trairia porque Ele conhecia o caráter de Pedro. O Pai organizou o cenário (circunstâncias) adequado para que a profecia de Jesus se cumprisse. Mas como Jesus sabia quantas vezes Pedro o negaria? Como sabia que o galo cantaria? O conhecimento limitado não pode responder a questões simples como estas. Willian Lane Craig oferece uma defesa muito interessante sobre o conhecimento exaustivo de Deus versus conhecimento parcial. Vejamos:

 

“Seu conhecimento do futuro não pode ser baseado em pré-ordenação apenas, isto porque Ele pré-conhece nossos pensamentos, intenções e até nossos atos pecaminosos. Considerando que Deus não é responsável por estas atividades humanas, segue-se que Ele não as produz. São, portanto, verdadeiramente ações livres ou contingentes, e o pré-conhecimento delas indica pré-conhecimento de futuras ações livres.[14]

 

Fica claro que dentre vários riscos, o comprometimento apologético é inevitável na Teologia Aberta, visto que todo material profético será espiritualizado ou generalizado, tudo reduzido a uma montanha de possibilidades. O que dizer ainda de todos os tipo e antítipos apresentados ao longo do desenvolvimento da revelação divina se Deus não conhece exaustivamente todas as coisas?

 

Esta apresentação de uma teologia aberta com um Deus de olhos fechados oferece um falso altar para a adoração de um falso deus. Devemos lembrar que o povo de Israel, não obstante o fato de terem em mãos a revelação de Deus, não poucas vezes O substituíram por outro. Um caso clássico é o bezerro de ouro no texto de Êxodo 32:2-5:

 

2E Arão lhes disse: Tirai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas, e trazei-mos. 3Então todo o povo, tirando os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas, os trouxe a Arão; 4ele os recebeu de suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro, e dele fez um bezerro de fundição. Então eles exclamaram: Eis aqui, ó Israel, o teu deus, que te tirou da terra do Egito.   5E Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro e, fazendo uma proclamação, disse: Amanhã haverá festa ao Senhor.”

 

Esta passagem deixa claro que idolatria não se resume apenas em adorar um deus pagão, mas paganizar o Deus verdadeiro e reduzi-lo à imaginação dos homens. É exatamente isso que a Teologia Aberta tem feito, tem feito Deus à imagem e semelhança dos homens.


[1] Normam L. Geisler, Creating God the Image of Man? Minneapolis: Bethany, 1997, cap 4.

[2] Boyd, Gregory – God Of The Possible, p. 64, Baker Books, 2000

[3] Pinnock, Clark– The Openness Of God: A Biblical Challenge To The Traditional Understanding Of God, Intervarsity Press, 1994

[4] Sanders, John – The God Who Risks: A Theology Of Providence, 52,53, Intervarsity Press, 1998

[5] Ware, Bruce – God’s Lesser Glory, 67-74, Crossway Books, 2000

 

[6] Todas as palavras sublinhadas, em negrito e itálico nos versículos e citações foram destacadas com intenção de ênfase e clareza.

[7] C.F. Keil, F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Vol 1:252, W. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, 1978.

[8] Raiz do verbo em hebraico

[9] Greg Boyd, God of the Possible, p.53-87; Richard Rice, “Biblical support for New Perspective”, Clark Pinnock, The Openness of God, p. 22-38

[10] First Apology 45 in ANF 1:178

[11] Idem 44 ANF 1:177

[12] Against Heresies 3.21.9 ANF 1.453

[13] Boyd, 35-39.

[14] William Lane Craig, The Only Wise God: The Compatibility of Divine Foreknowledge and Human Freedom, 1987.

Ontem eu vi Isabela…

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ontem eu vi Isabela, ela estava num cruzamento da cidade próxima de um farol que se fechava. Ela correu até um carro bateu no vidro com insistência apenas pedia um trocado.

Ontem eu vi Isabela, ela estava sentada sozinha olhando o vazio enquanto passos apressados por ela passavam sem nada dizer.

Ela se sentia uma coisa, um objeto sem vida, inanimado, ignorado na rotina da vida.

Ontem eu vi Isabela seu sorriso já não era tão meigo, sua beleza se encardia na poluição da maldade de corações embrutecidos que não a enxergam viva.

Ela falava, cantava, chorava, mas todos estavam surdos.

Ontem eu vi Isabela, caminhava cansada sem direção, sem rumo, sem colo nem afeto. Procurava não algo, mas alguém, ela não procurava encontrar, mas ser encontrada.

Ontem eu vi Isabela, explorada, esquecida, adoecida num depósito amontoado de pessoas não lembradas. Estava viva, mas já não vivia, sua esperança fora roubada e seus sonhos mais lindos despedaçados.

Por aquela Isabela ninguém clamou por justiça, por aquela Isabela ninguém chorou, nem mesmo mãe, nem avós, nem políticos, nem artistas. Por ela as multidões não correram em socorro e sua vida morta se esvaía lenta e escandalosamente discreta.

Talvez amanhã já não mais a vejamos… talvez paradoxalmente ergueremos nossas vozes quando se for, talvez quando a dor da tragédia se materializar diante dos olhos e das consciências outrora cegas, talvez naquela hora lembremos que só quando se vê Isabela viva é que jamais uma Isabela morre em vão.

Você tem visto Isabela?

Mestra do bem

quinta-feira, 18 de março de 2010

Tenho pregado continuamente sobre as “Mestras do Bem” que encontramos na Bíblia. Este assunto me é muito grato, pois sempre fui cercado de mulheres cuja envergadura faria marmanjos rubrar. Minha avó, dona Augusta, me influenciou contando seus casos, uma mulher com as mãos cheias de calos sustentou seus cinco filhos cortando cana. Minha mãe, dona Hilda, que todos os dias se levantava às 4:00 horas da manhã para sustentar seus dois filhos. E claro, minha esposa e companheira Julie ajudadora com “A”, sim maiúsculo! Por essas e tantas outras mulheres amigas que apóiam meu ministério, quero compartilhar a história de uma fascinante Mestra do Bem.

 

Ela era da cidade de Jope, uma cidade muito antiga citada em escritos egípcios e no Antigo Testamento aparece no livro de Josué como herança da tribo de Dã; já no livro de Jonas é a cidade portuária em que o profeta fujão embarca para ir em direção oposta àquela comissionada por Deus. 

Na mitologia grega, era a cidade em que, segundo a lenda, Perseu matou o monstro, considerada cidade de Zeus ou Júpiter para os romanos. As lendas em torno da luta de Júpiter e seu pai Vênus (a quem fez tomar uma poção e trazer de volta a vida seus irmãos) permeava aquela cidade que nos dias apostólicos era culturalmente mestiça. “Júpiter trouxe alguém de volta à vida!” dizia o povo daquele lugar – mas, nunca ninguém vira tal façanha. Para eles, Júpiter era o Senhor daquele lugar.

A cidade de Jope existe até hoje embora seja chamada de Jafa um subúrbio de Tel Aviv em Israel. Nessa cidade de mitos lendas e tradições uma mulher se destaca de modo extraordinário, seu nome Tabita ou Dorcas.

 

É digno de nota que após o fenômeno do pentecostes, em que as pessoas falaram em outros idiomas e dialetos, Dorcas é a segunda mulher citada nominalmente no livro de Atos. A primeira foi Safira, mentirosa, dissimulada, enganadora, pensou que poderia enganar até Deus, colheu o fruto de sua dissimulação, a morte.

Dorcas, por outro lado é apresentada como alguém diferente, pessoa querida, singular, de fato, é única vez que o feminino de “discípulo”, “discípula” é utilizado em todo no Novo Testamento. Porque ela era realmente alguém singular, a palavra discípula significa aprendiz como bem sabemos, Dorcas era uma mulher que não vivia acidentalmente, sabia que tinha propósito e vivia para conhecer o autor desse propósito.

Sobre seu nome, como morava em uma cidade portuária naturalmente os habitantes tinham um nome hebraico e outro grego ou latino, esse era seu caso. Embora haja um debate sobre a origem de seu nome “Tabita”, se siríaco antigo ou aramaico, Lucas o autor do livro de Atos nos ajuda dizendo que a tradução do nome é Dorcas, em ambos os casos significa gazela. Na cultura judaica antiga e entre outros povos a gazela era sinônimo de beleza e graça, essa é a razão por que no livro de Cantares a noiva se refere ao noivo assim: “O meu amado é como uma gazela”. Seria o equivalente em nossa língua e costume uma noiva dizer: O meu noivo é um gato…

 

Provavelmente Dorcas fosse uma mulher bonita, graciosa, no entanto sua grande virtude não estava na efemeridade da beleza física.

Era uma mulher plena de boas obras!

 

Ela investia sua vida em atos de carinho, gentileza e amor. Sua alma transbordava do amor de Deus e alcançava aqueles que estavam à sua volta. Fico feliz que Lucas, o autor do livro, tenha feito distinção entre boas obras e esmolas.

 

A intenção do autor era nos apresentar que:

  1. Boas obras: Não eram apenas atos de generosidade para com os pobres, mas um estilo de vida. Ela ocupava-se com o que era bom, seu estilo de vida podia ser definido como bom. Se Dorcas dirigisse um carro, seria admirada pelos cuidados no trânsito. Fazer aquilo que é bom, ser alguém do bem era sua marca.
  2. Esmolas: Não eram moedas riscadas ou notas rasgadas oferecidas aos paupérrimos de seus dias. Eram atos de compaixão, uma profunda consciência de beneficência para com os mais pobres.

 

A Bíblia na Linguagem de Hoje, verte o texto assim:

“Ela usava todo o seu tempo fazendo o bem e ajudando os pobres.”

Esta distinção é importante porque fazer o bem não é apenas socorrer aos mais carentes, mas viver um estilo de vida que faz bem aos que estão à nossa volta. Não brigar no trânsito, não falar da vida alheia, pagar o que se deve, tudo isso é fazer o bem…

Ajudar aos pobres já é uma outra coisa, é outro lado desta moeda.

No contexto da passagem, sabemos que seu jeito de dar “esmolas” ou socorrer aos carentes, era ocupando-se com as viúvas. Naqueles dias as viúvas representavam um dos grupos mais carentes econômica e socialmente. Dorcas se ocupava com elas, ela era costureira, fazia vestidos e túnicas sob medida para aquelas mulheres carentes e desprezadas. Não é de surpreender que Lucas diga que Dorcas era uma mulher notável!

 

Não resisto me fazer a pergunta: Pelo que as pessoas nos notam? Somos notáveis em que? Podemos não nos considerar notáveis em coisa alguma, mas todos os dias somos notados, no bairro em que moramos, na igreja que freqüentamos, no lugar em que trabalhos. Qual é a nossa marca?

Dorcas era notável:

Dorcas era notável por sua clareza doutrinária: discípula

Dorcas era notável por suas boas obras: ocupava-se com o que era bom.

Dorcas era notável por suas esmolas: seus atos de compaixão para com os mais pobres.

 

O verbo aqui na língua original para descrever suas ações é imperfeito ativo, quer dizer que fazer o bem era seu hábito…

 

Bom, a história de Dorcas não termina aqui, mas me parece ser uma boa hora para uma pausa, quem sabe um café e pensar sobre nossos hábitos… Afinal de contas, a vida dessa mestra do bem mostrou que não Júpiter mas Jesus era o Senhor daquele lugar.

Espiritualidade Autêntica

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A placa no aeroporto de Chiang Mai na Tailândia chamou minha atenção:

“Cuidado! A importação de itens falsificados é considerada crime em vários países europeus.” Fiquei imaginando pessoas descartando seus “Ray Bans” de R$10,00, camisas Lacoste de R$15,00, bolsas Louis Vuitton de R$17,00. Nada!

Algumas possibilidades:

1. Ninguém carregava itens falsificados. A placa era desnecessária.

2. Ninguém que carregava itens falsificados ia para país europeu.

3. Ninguém estava nem aí para a placa.

Tenho uma opinião, mas prefiro me reservar ao direito de ficar calado… 

A Bíblia também tem vários avisos importantes, falsificação da espiritualidade ou, na linguagem apostólica, “piedade” é reprovável; é, por assim dizer, criminosa, “afaste-se deles!”, diz Paulo. Jesus vociferou contra os religiosos falsificados, disse que eram sepulcros pintados por fora, mas que traziam em seu interior “corpos fétidos em decomposição”. 

O que é  espiritualidade autêntica? A resposta não é encontrada em compêndios teológicos, em verbetes de dicionários lexicográficos, a resposta não é uma coisa, a resposta é uma Pessoa: Jesus Cristo. Quer saber o que é espiritualidade autêntica? Olhe para Jesus. Veja como Ele tratava as pessoas à sua volta, como se relacionava com o meio em que estava inserido, era um influenciador e não um influenciável. No monte da transfiguração até suas vestes brilharam, era um transformador! 

Se quisermos viver uma espiritualidade autêntica Jesus é nosso modelo máximo, Ele é a definição e a expressão na realidade objetiva do que é ser espiritual.

Já pensou no que aconteceria se na porta de nossas igrejas colocássemos uma placa com os dizeres: “Cuidado! A falsificação da espiritualidade é considerada crime nesta igreja”. 

Três possibilidades:

1. Ninguém falsifica espiritualidade, placa desnecessária.

2. Ninguém que falsifique a espiritualidade freqüenta igreja.

3. Ninguém está nem aí com a placa.

Tenho uma opinião, mas prefiro me reservar ao direito de ficar calado…

Leandro Tarrataca

Gratidão

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Você já parou para pensar como gratidão depende da aprovação das pessoas? Por exemplo, você doa uma cesta básica pensando que está fazendo uma gentileza, a pessoa interpreta aquilo como uma humilhação e se sente ofendida. Você dá um presente, não é o que a pessoa esperava e já começa a ingratidão.

Gratidão vem do latim gratus e carrega a idéia de agradável. Portanto, para que haja gratidão é preciso que alguém esteja satisfeito, agradado. É a reação da pessoa diante de outra que fez algo em seu favor, que fez alguma diferença para melhorar sua vida.

Talvez por isso uma tradição judaica afirme que Deus deveria ser agradecido cem vezes por dia. Realmente Deus tem nos agradado e muito! Considere:

A misericórdia de Deus. Se você já fez uma grande bobagem na vida e não foi atingido por um raio, lembre-se: é misericórdia de Deus.

A pessoa de Jesus. Jamais entenderíamos quem é Deus sem o milagre da encarnação de Jesus.

O livramento do pecado. Todos lutamos contra o pecado, outros com vícios pessoais; nosso livramento vem de Deus.

A presença de Deus. Como dizia o sábio Wesley: “E o melhor é que Deus está sempre conosco.”

A provisão divina. Se temos o que comer e vestir, isso vem de Deus.

As boas dádivas. Qualquer coisa boa que você possa pensar é uma dádiva de Deus.

Mas, algumas vezes não nos sentimos agradados, como a história de um turista que visitou uma região de águas termais no México.

Encantado com o fato de que as águas quentes e frias existissem lado a lado, ficou observando enquanto muitas mulheres lavavam as roupas na água quente e as enxaguavam na água fria. O turista exclamou entusiasmado ao seu guia turístico: “Elas devem achar Deus muito generoso com essa provisão!” O guia respondeu: “Não senhor, na verdade há muita reclamação porque Deus não fornece sabão.”

            Que tal agradecer a Deus agora?

Hoje é o dia de celebrar a Reforma Protestante!

sábado, 31 de outubro de 2009

A Paz que podemos construir

terça-feira, 20 de outubro de 2009

           Barricadas nas ruas de Porto Príncipe, carro bomba explode em Bagdá, conflitos intermináveis na Faixa de Gaza. Ao contrário do que pensam alguns o Brasil não é o “jardim do édem”, tão pouco o guardião da paz. 

 

            Há um crescimento endêmico de violência que tem culminado na deterioração de nossa sociedade. Esta síndrome de pânico nos cerceia de tal maneira que trancados, atrás de nossas barras de ferro, limitados por cercas elétricas, por senhas de monitoramento eletrônico nos sentimos reféns. Não para menos, os assaltos, seqüestros, assassinatos, a violência esta por toda parte. Tornamo-nos espectadores desta condição insalubre que vitimiza a todos, crianças, idosos, ricos e pobres. Como se não bastasse este estado de sítio, a violência doméstica em suas múltiplas versões como violência física, sexual, psicológica ou incúria também faz parte de uma triste realidade.

          No caso da violência psicológica ou emocional, em alguns casos pode até ser mais prejudicial que a física. Rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito são elementos presentes neste tipo de agressão. Trata-se de uma violência que não deixa marcas físicas visíveis, mas emocionalmente abre feridas permanentes. Alguns agressores verbais disparam contra membros da família, nos momentos mais constrangedores. A violência que se traduz em palavras -como tiros não mais retornam-,    e na realidade, nesta categoria muitos passam de espectadores a coadjuvantes.

            Recentemente li um artigo sobre as Ilhas Salomão no centro oeste da Oceania. Em algumas pequenas vilas eles têm uma estranha crença, se uma árvore é muito grossa para ser derrubada com um machado, eles gritam com ela durante trinta dias, acreditam que depois deste período de exposição aos gritos a árvore morre e cai. Estes inocentes supersticiosos nativos que não desfrutam de nossa tecnologia… Nenhum de nós gritaria com as árvores, não… Nossa prática é outra, gritamos com o cônjuge, gritamos ao telefone, gritamos com nossos filhos. Alguns serrando o punho gritam até com Deus, gritamos com o motorista do outro carro. Nós educados, civilizados, não derrubamos árvores com nossos gritos, preferimos uma outra modalidade.

Sabemos que tiros, pedras, quebram nossos ossos, ferem nosso corpo, mas nossos gritos quebram e ferem o coração.  Talvez não possamos fazer muito pela paz no mundo, ou mesmo no Brasil, mas podemos começar com a paz a partir de nós mesmos. Afinal de contas esta é única parte do mundo sobre qual podemos efetivamente decidir como será.

            Nas Palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos no capítulo 12,

            E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” 

Parte II - As Sete leis da Semeadura

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

No livro de Ester encontramos sete leis de plantio ou de semeadura espiritual que se bem aprendidas podem nos capacitar a abençoar nossas casas, bairros e até nosso país.

Aqui vão as leis:

Lei número 1. Só se colhe o que se planta.

Ester empenhou-se por ser rainha: Ester 4:14 c “Quem sabe se para tal conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?”

Esta foi a pergunta de Mordecai a Ester quando ela demonstrou dúvida se deveria arriscar o próprio pescoço para salvar seu povo. A pergunta de Mordecai aponta para o fato de que ela teve um ano de preparo no “concurso miss Pérsia”, o texto nos diz que ao contrário de Daniel e seus companheiros que não comeram dos manjares do rei pagão, Ester tudo comeu. Podemos deduzir que está implícito no texto o desejo se tornar rainha, embora ela não tenha escolhido participar do “concurso”, ela tinha a escolha de simplesmente não se empenhar, seria por assim dizer apenas desclassificada. Mas, ela empenhou-se para se tornar rainha, agora deveria ser responsável pela posição adquirida. É a mesma lei para todos nós, escolhemos um casamento, plantamos isso, agora precisamos responsavelmente lidar com as lutas e desafios. Nos tornamos pais, maridos, funcionários, agora devemos agir a altura de nossa posição. Somos responsáveis por fazer diferença no mundo e nas pessoa que estão a nossa volta, seja na escola em que estudamos, ou em nosso trabalho. O ponto é: Quem sabe para esta conjuntura é que você foi colocado aonde esta?

Um exemplo muito interessante é o de  Helen Cadbury ela passou a seguir a Cristo ainda menina com apenas 12 anos de idade no ano de 1893 em Birmingham. Ela sempre carregava consigo um Novo Testamento de bolso, ela era tão consciente da importância de sua influência que em pouco tempo organizou com suas colegas de escola o que chamou de “Liga do Novo Testamento de Bolso”. Sua influência foi tão grande que a “liga” se tornou uma organização gigantesca de proporção internacional, hoje conhecida como Bridge.  É assim, colhemos o que plantamos, quando chega a hora da colheita é preciso ser responsável e agir a altura da posição em que nos encontramos, sem omissão, sem dissimulação, sem rebeldia, sem medo.

Lei número 2. Colhemos a mesma espécie que plantamos.

Se você se omitir outros se omitiram também: Est 4:14b “Tu e a casa de teu pai  perecereis”

Desde o livro do Gênesis a bíblia nos fala que cada semente produziria sua espécie. Bem, todos sabemos que se plantarmos sementes de abóboras não colheremos pepinos. A semente produz sempre segundo a sua espécie. Quando Mordecai disse a Ester “Tu e a casa de teu pai perecereis” ele estava dizendo que se ela se calasse, fosse omissa, colheria também o fruto da omissão de outros. Se ela decidisse não fazer nada, outros dariam a mesma resposta. Colhemos a mesma espécie, se plantarmos ódio, colheremos ódio, se plantarmos ciúmes, colheremos ciúmes, se plantarmos omissão, colheremos omissão.

Um vídeo-clipe muito interessante gravado em algum lugar da Índia mostra sob intensa chuva uma árvore colossal bloqueando uma estrada e atrapalhando ainda mais o já caótico transito Indiano. Todos reclamam, protestam contra a árvore, o trânsito, e em estado de contemplação apenas esperam que algo aconteça, ou que o governo faça algo. Até que inesperadamente um menino pequeno, franzino sob a forte chuva aproxima-se da árvore coloca suas pequeninas mãos no colossal tronco e começa a tentar empurrar a árvore. As pessoas ao redor olham com certo desdém a principio, alguns riem, zombam, mas o menino não desiste. Aos poucos outras crianças se juntam a ele, e então outros vão se juntando a ele até que finalmente uma multidão unida empurra e remove a árvore do caminho.

Se quisermos colher ação por parte das pessoas precisamos agir!

 

Lei número 3. Colhemos numa estação diferente daquela que plantamos.

Mordecai praticou o bem a uma criança colheu o grande benefício de uma rainha adulta.  

Mordecai quando plantava atos de bondade e zelo para com a órfã Ester não imaginava que um dia ela seria a rainha que livraria ele e todo o seu povo do extermínio. Mas, tudo isso levou tempo, na verdade levou anos!

Paciência é uma virtude que temos que aprender em nossos dias, quer desejemos ou não. Uma pesquisa mostrou que o paulistano perde por dia no transito 02h40min. Praticamente um mês da sua vida por ano fica no transito de São Paulo. Querendo ou não é preciso esperar pacientemente o escoamento do trafego. Por outro lado, quando chega no campo do plantio das virtudes plantamos pela manhã e queremos colher no fim do dia. Fazemos uma gentileza para alguém e esperamos uma resposta imediata. Absurdo! Nenhum fazendeiro planta pela manha e quer colher a tarde, paciência, plante agora para colher depois, para colher em outra estação.

Lei número 4. Colhemos mais do que plantamos.

Mordecai é marcado por sua bondade, fidelidade a Deus e a seu governante, no final do livro lemos que ele colheu muito mais do que plantou, o texto fala a respeito de um relatório da grandeza. O que quer plantemos sempre colheremos mais do que plantamos, seja para o bem ou para o mal. Discernir o que plantaremos é realmente importante. Pense,

um grão de milho, que pesa aproximadamente 0,3g, em poucos meses gera uma planta adulta, que produz de quinhentos a mil grãos. O que você quer plantar no dia a dia? Cuidado, lembre-se que você colherá muito mais do que plantou.

5. Lei número 5. Colhemos proporcionalmente ao que plantamos.

Se um grão de milho produz de quinhentos a mil grão, quer dizer que quanto mais plantar mais colherei! Se plantar uma semente de bondade, de gentileza, de carinho colherei proporcionalmente, neste campo se a semente for boa quanto mais melhor!

 

6. Lei 6. Colheremos o que é bom se perseverarmos, aquilo que é mau cresce sem nosso esforço.

Mordecai era um homem perseverante e não desistiu de conseguir uma solução para um sério problema, mas o mal nasceu sem esforço algum: O rei tirou o seu anel, deu-o a Hamã, adversário dos Judeus, seria o equivalente em nossos dias de dar um cheque em branco. Seja como for, parecia que para o mal tudo era mais fácil, mais rápido, mais eficiente. Mas, esta é a lei da semeadura, você não precisa plantar erva daninha no seu jardim, ela nasce. Mas para manter e garantir uma boa plantação você precisa perseverar, precisa cuidar de suas plantas, do solo, garantir que as pragas não arrasem sua plantação. Enfrentar as ervas daninhas faz parte, não desista e você terá uma boa colheita. A verdade é que sempre surgem ervas daninhas em tamanhos e formas diferentes. Algumas vezes podem ser palavras, outras podem ser pessoas atentando contra sua família ou seu trabalho. Independente do que sejam, persevere só assim se colhe aquilo que é bom.

Lei número 7. Não podemos fazer nada em relação a colheita do passado, mas podemos fazer algo em relação a colheita de hoje e de amanhã.

Mordecai e Ester eram exilados, por conta dos erros de outros. Ester era órfã, nada podiam fazer em relação ao passado, mas podiam fazer algo em relação a presente e ao futuro: Ester sob o risco de perder a vida disse a Mordecai: “Irei ter com o rei, se perecer pereci.”

Na vida de tempos em tempos cada a individuo, a cada nação, chega o momento de decidir se viverá com medo para sempre ou se enfrentará a situação. Ester optou por enfrentar a situação e venceu.

Muitas pessoas tem agido assim, e não apenas na história bíblica, mas em todos os lugares. Fiquei muito impressionado ao conhecer a história de Flor de Lis, uma carioca que adotou 45 crianças, e vive com elas em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ela conta que tudo começou quando viu crianças abusadas, abandonadas e atemorizadas e disse consigo mesma eu preciso fazer alguma coisa…

Talvez você não venha a adotar quarenta e cinco crianças ou uma que seja, mas todos devermos responder a pergunta: O que eu preciso fazer agora para plantar sementes de mudança? Talvez não seja algo tão grande ou tão heróico, como Ester, Mordecai ou Flor de Lis, talvez seja algo pequeno como um grão de milho, mas produzirá grandes resultados.

Vi uma entrevista com o jogador Ronaldo, perguntado sobre a seleção brasileira ele disse: “Só quero ajudar…” A matéria terminou com as seguintes palavras: “Bendito é o país que tem um fenômeno disposto a ajudar”

Sabe, você é um fenômeno de Deus, a questão é se você está disposto a ajudar? A tradição do Purim diz que Deus usa máscaras, talvez, mas uma coisa é certa Deus usa pessoas e quer usar você.  

As sete leis da semeadura

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No último sábado fui levar minha filha mais nova para a última dose de vacinação. (Puxa como o tempo passa rápido minha pequenina já está na última dose!) Bem, ao entrar no posto de vacinação me deparei com vários funcionários usando mascaras coloridas, uma maneira criativa e simpática de ganhar a confiança das crianças, deu certo. Minha pequenina estava relutante no inicio, mas assim que entrou e viu os funcionários sorrindo e as máscaras coloridas ficou muito a vontade. A enfermeira que estava conduzindo a vacinação disse: “Abra o bocão de jacaré!” E minha filha abriu uma boca tão grande que até me assustei com o tamanho.

Fiquei feliz com a criatividade daqueles funcionários que trabalhavam numa ensolarada tarde de sábado, vi que o Brasil é realmente um país abençoado, não só por sua beleza natural, mas pela simpatia de seu povo. E a notícia ainda melhor: 20 anos sem nenhum caso de poliomielite!

Mas, as mascaras coloridas me fizeram lembrar de uma festa judaica muito alegre, comemorada normalmente com a utilização de mascaras, a festa do Purim. Usam mascaras para celebrar que algumas vezes, Deus “usa” mascara, isto é ele está presente mesmo quando parece não estar.

Deus está presente mesmo nos momentos difíceis, quando nossas orações parecem não ter respostas.

Esta tradição é oriunda do livro de Ester, isso porque neste livro o nome de Deus não é citado nenhuma vez, mas a mão de Deus parece estar presente em cada detalhe tecendo sua bondosa providência.

O nome da festa deve-se ao fato de que um homem chamado Hamã inimigo dos Judeus e muito supersticioso. Embora conseguisse por meio de suborno uma autorização real para liquidar os Judeus lançou sortes para ver qual seria o melhor dia para o extermínio. A ironia da história é que no dia em que supostamente seria seu dia de sorte para a exterminar os Judeus, foi Hamã quem acabou executado, pior ainda, na forca que ele mesmo construiu. Purim é um nome que carrega certo sarcasmo contra os inimigos daqueles que servem a Deus. É como se dissesse: “A sorte sempre está do lado daqueles que estão do lado de Deus”.

Ester, cujo nome Hebraico é Hadassa, era órfã de pai e mãe e foi adotada ainda menina, alguns dizem que sua mãe morreu quando deu a luz, mas não sabemos de fato como se tornou órfã. O que sabemos é que fora adotada por Mordecai, ambos eram exilados e Ester passou a ser sua filha.  

A vida de Ester muda radicalmente quando Vasti então rainha recusou-se a mostrar sua beleza aos convidados do rei Assuero (Xerxes). Aquele ato criou um problema político muito sério para Assuero. Ele passara seis meses, reunido com várias autoridades da aristocracia Persa, mostrando quão poderoso era. Seu objetivo era organizar uma investida militar contra os Gregos, no final como a cereja do bolo de seu exibicionismo, ofereceu uma festa regada a muita bebida, durante a festa resolveu expor sua esposa como um troféu. Certamente o que ele exigia de Vasti não era nada decoroso, o que o rei não esperava aconteceu, Vasti se recusou a cumprir a ordem do real.

Um sério problema político, como o rei comandaria todos os seus líderes, súditos se não conseguia nem mesmo que sua mulher o obedecesse?  

Aconselhado, dissolveu seu relacionamento com Vasti, e para garantir que o rei não teria uma recaída, criaram uma espécie de concurso “miss Persa”. Ester foi eleita nova rainha e posteriormente arriscou a própria vida para salvar seu povo.

O livro de Ester sugere que muitos problemas que enfrentamos se relacionam com o que poderíamos chamar de lei de plantio ou de semeadura. Considere alguns paralelos:

Saul foi o primeiro rei de Israel, era Benjamita, deveria ter dado cabo dos Amalequitas e seu rei Agague, não fez. Anos e anos se passam e na história do livro temos Ester e Mordecai, ambos Benjamitas lidando com um Agagita, um Amalequita descendente direto de Agague, daí o título Agagita.

Pense sobre isso, muitos problemas na vida, numa família e até num país, são o resultado direto do plantio, das escolhas de alguém no passado. Como muitas crianças no passado colheram as conseqüências de problemas de saúde porque seus pais não zelaram por elas como deveriam.

No livro de Ester encontramos sete leis de plantio ou de semeadura espiritual que se bem aprendidas podem nos capacitar a abençoar nossas casas, bairros e até nosso país.

Nos próximos dias estarei postando as sete leis…

Confiança em Deus

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu colega de ministério pastor Denis e eu visitamos muitos lugares em reuniões e pregações, e não raras vezes nos perdemos…É quase que uma experiência certa, quando entramos no carro para irmos a algum lugar é apenas uma questão de tempo e estaremos perdidos. Uma hora dessas vou colocar um GPS no carro, tenho um no celular, mas é tudo tão pequeno que realmente quase não enxergo. Mas, numa destas viagens ao “elo perdido” resolvemos perguntar para um senhor que caminhava lentamente na calçada. Denis o chamou, o senhorzinho com seus passos lentos, claudicantes aproximou-se da janela do carro. Denis passou a pedir a informação… O Senhorzinho mastigava, não sei o que, parecia um punhado de farinha ou paçoca de amendoim. Saraivou o pastor Denis com farinha desde disse a primeira palavra. Ele explicou algo mais ou menos assim: “Vá em frente, vire a esquerda, depois de um pouquinho vire a direita, siga alguns metros, pegue uma rotatória no terminal de ônibus e lá você pergunta de novo”. E foi-se caminhando vagarosamente e claro, mastigando o resto da farinha…Rimos muito e seguimos a orientação “empanada”.

Mas, não é está experiência uma parábola da vida? Uma parábola de nossas experiências? Não é isto um símbolo do dia a dia? Considere:

1.      A capacidade da inteligência humana tem um limite. Posso saber muitas coisas, mas não sei todas elas. Na verdade é muito maior o oceano daquilo que não sei do que a lagoa em que reside meu pequeno conhecimento. Talvez por isso, aquele senhor tenha dito: “vá até lá então pergunte novamente”.

2.      A Inevitabilidade de um processo gradual. Um passo de cada vez, uma aproximação gradativa de onde chegar. Não podemos saltar queimando etapas na vida sem que soframos conseqüências terríveis. Somos meninos, adolescentes, jovens, adultos e velhos…um passo de cada vez…

3.      A realidade das incertezas na experiência humana: - “Casar ou comprar uma bicicleta?”.  Sempre nos depararemos com incertezas, com questionamentos e porque não dizer, teremos dúvidas.

Por isso, todos nós devemos nos empenhar com todo esforço para avançarmos ainda que lentamente e apenas um pouco na direção correta. É melhor isso, que voarmos na velocidade da luz na direção errada. Provérbios, nos trás muitos ensinamentos de como podemos fazer isso, particularmente no capítulo 3:5,6 a bíblia diz:

“Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”

 

Neste texto encontramos uma exortação e uma promessa:

 

Comecemos com a exortação: “Confie no Senhor”

 

Não em nenhuma criatura,

Não na melhor das criaturas

Não na mais elevada das criaturas

Não na mais santa das criaturas

Não na mais agradável das criaturas

Não confie em nenhum de seus privilégios

Suas habilidades

Sua educação

Seu coração

Sua religião

Suas Obras

Seus diplomas

Confie nele em todo o tempo, confie no Senhor!

Na aflição, na tentação, na alegria ou na dor.

Na escuridão da noite ou sob a luz do dia, confie no Senhor!

Deus é o Criador de todas as coisas e o tecelão de cada providência, é o Senhor de toda graça, de toda bênção, todo contentamento. Por esta razão, todo poder, toda a força que precisamos encontram-se NELE e o seu amor e misericórdia nos disponibilizam o que precisamos.

 

CONFIAR!  

A palavra hebraica para confiar é BATAH, e carrega a idéia de apegar-se a alguém ou algo a fim de encontrar segurança e conforto.

Quando John Paton traduzia a bíblia para uma tribo indigena, descobriu que eles não tinham em seu vocabulário uma palavra para confiança. Um dia enquanto fritava os neurônios em busca de uma palavra foi surpreendido por um nativo suado que estivera correndo de um lado para o outro. O suado nativo entrou na casa do missionário literalmente jogou-se sobre uma confortável poltrona e disse: “Como é bom poder descansar todo meu peso sobre esta cadeira.” “É isso!,” disse Paton. “Eu traduzirei confiança como ‘descansar todo o seu peso em Deus’”.

E então, você já fez isso hoje? Lance todo o seu peso sobre Deus este é o primeiro passo na direção certa. Na próxima vez escreverei sobre a promessa…