Arquivo da Categoria ‘Família’

A Paz que podemos construir

terça-feira, 20 de outubro de 2009

           Barricadas nas ruas de Porto Príncipe, carro bomba explode em Bagdá, conflitos intermináveis na Faixa de Gaza. Ao contrário do que pensam alguns o Brasil não é o “jardim do édem”, tão pouco o guardião da paz. 

 

            Há um crescimento endêmico de violência que tem culminado na deterioração de nossa sociedade. Esta síndrome de pânico nos cerceia de tal maneira que trancados, atrás de nossas barras de ferro, limitados por cercas elétricas, por senhas de monitoramento eletrônico nos sentimos reféns. Não para menos, os assaltos, seqüestros, assassinatos, a violência esta por toda parte. Tornamo-nos espectadores desta condição insalubre que vitimiza a todos, crianças, idosos, ricos e pobres. Como se não bastasse este estado de sítio, a violência doméstica em suas múltiplas versões como violência física, sexual, psicológica ou incúria também faz parte de uma triste realidade.

          No caso da violência psicológica ou emocional, em alguns casos pode até ser mais prejudicial que a física. Rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito são elementos presentes neste tipo de agressão. Trata-se de uma violência que não deixa marcas físicas visíveis, mas emocionalmente abre feridas permanentes. Alguns agressores verbais disparam contra membros da família, nos momentos mais constrangedores. A violência que se traduz em palavras -como tiros não mais retornam-,    e na realidade, nesta categoria muitos passam de espectadores a coadjuvantes.

            Recentemente li um artigo sobre as Ilhas Salomão no centro oeste da Oceania. Em algumas pequenas vilas eles têm uma estranha crença, se uma árvore é muito grossa para ser derrubada com um machado, eles gritam com ela durante trinta dias, acreditam que depois deste período de exposição aos gritos a árvore morre e cai. Estes inocentes supersticiosos nativos que não desfrutam de nossa tecnologia… Nenhum de nós gritaria com as árvores, não… Nossa prática é outra, gritamos com o cônjuge, gritamos ao telefone, gritamos com nossos filhos. Alguns serrando o punho gritam até com Deus, gritamos com o motorista do outro carro. Nós educados, civilizados, não derrubamos árvores com nossos gritos, preferimos uma outra modalidade.

Sabemos que tiros, pedras, quebram nossos ossos, ferem nosso corpo, mas nossos gritos quebram e ferem o coração.  Talvez não possamos fazer muito pela paz no mundo, ou mesmo no Brasil, mas podemos começar com a paz a partir de nós mesmos. Afinal de contas esta é única parte do mundo sobre qual podemos efetivamente decidir como será.

            Nas Palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos no capítulo 12,

            E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” 

Decida amar

terça-feira, 5 de maio de 2009

 

Dr. James Dobson publicou a seguinte carta em seu livro “O Amor tem que ser Firme” recebida durante o seu ministério. Embora os nomes não sejam verídicos, a história é verídica. Ele descreve então a carta de um homem chamado Rogério. A carta diz assim:

 

“Há poucos meses atrás, Norma, minha esposa, saiu para fazer compras num supermercado próximo. Ela disse a nossos quatro filhos que voltaria dentro de 1 hora. Advertiu-os para que se comportassem. Isso ocorreu num sábado pela manhã. Seis horas mais tarde, ela ainda não havia voltado e eu comecei a procurá-la ansiosamente. Podia imaginá-la sendo raptada, estuprada, ou até mesmo algo pior.”

 

“Na manhã de domingo chamei a polícia. Disseram que não podiam ajudar até que ela estivesse desaparecida por 48 horas. Meus filhos e eu estávamos doentes de preocupação. Pedimos orações na igreja, e de amigos cristãos, especialmente para a segurança de Norma. Ela não tinha deixado notas ou mensagens com amigas e nem telefonou. Encontramos o carro dela atrás do supermercado fechado e vazio. A polícia sugeriu que tivesse fugido, mas não concordei; isso não seria coisa da mulher com quem vivi durante 14 anos, a mãe de meus quatro filhos. Nós estávamos vivendo muito bem e tínhamos planejado tirar umas férias curtas no feriado do dia do trabalho.”

 

“Na terça feira, contratei o serviço de um conhecido detetive policial e lhe pedi que localizasse minha esposa, ou pelo menos, descobrir o que acontecera com ela. Ele começou a entrevistar pessoas amigas e os detalhes começaram a surgir. Para minha completa surpresa ficou claro que Norma havia partido de livre e espontânea vontade com um homem casado, que trabalhava no mesmo lugar que ela. Eu não podia acreditar!”

 

“Cerca de duas semanas mais tarde, recebi uma carta dirigida a ‘meu querido Rogério’, dizendo que não me amava mais, que nosso casamento estava acabado. Ela disse que voltaria em alguns meses a fim de lutar pela guarda dos filhos que iriam viver com ela em outro estado. Dr. Dobson, digo que sempre fui um pai e um marido fiel; desde que minha mulher me deixou tenho cuidado bem das crianças; fiz o melhor que pude para reorganizar nossa vida e continuar nossa existência rotineira; tentar fazer com que esses quatro jovenzinhos confusos tenham um lar decente. Todavia, o tribunal deu ganho de causa à minha esposa no mês passado, e eu estou agora só. Construí uma casa a poucos anos com minhas próprias mãos, e ela agora está vazia.”

 

“Tudo que me resta de minha família é uma pilha de contas deixada por Norma e as memórias nascidas entre as paredes. Meus filhos cresceram numa família que não é cristã, bem longe daqui; e quase não tenho dinheiro suficiente para visitá-los. Minha vida destroçou-se. Nada mais tenho além de tempo livre para pensar na mulher que amo e na mágoa e rejeição que sinto. É uma experiência terrível! Norma me destruiu, jamais irei recuperá-la. Acordo durante a noite pensando no que poderia ser, e no que realmente é. Só Deus pode ajudar-me agora”.

 

Há alguma explicação para situações como esta que ocorrem em escala cada vez maior? Sim. Vejamos o texto de 2 Timóteo 3:1-9.

 

1 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, 2 pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, 3desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, 4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, 5 tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. 6 Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, 7 que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. 8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; 9 eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles.”

 

O texto sagrado nos diz que as pessoas se tornariam desafeiçoadas. A palavra grega utilizada aqui é ‘astorgos’. Esta palavra é uma combinação da partícula negativa ‘a’ + a palavra ‘storge’, que é uma palavra utilizada para descrever o amor em família. Este termo é traduzido algumas vezes por “sem afeição natural”, ele aparece aqui em Timóteo e em Romanos 1:31 (‘insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia’). Nós devemos exercitar a afeição familiar porque o inverso disso é característica daqueles que estão distantes de Deus. Esta característica de desafeto pode levar a família à ruína, isto porque sem afeto a família não pode subsistir.

 

Dizer que não ama mais ao cônjuge é dizer noutras palavras que não mais ama a família, dizer que não ama mais a família é dizer que está tão preso a si mesmo, que seu coração está disposto a romper todos os laços afetivos com as pessoas mais próximas de sua vida, isto porque eles passam a não ter significado algum. Talvez alguém diga: mas eu realmente não amo mais meu cônjuge, minha esposa, meu marido. Há duas coisas que precisam ser revistas:

 

1.      O desgaste pode ter danificado sensações e emoções agradáveis.

2.      O amor, por outro lado, é eterno.

 

Alguém já disse que a relação familiar consiste em saques e depósitos emocionais. Você não pode sacar mais do que deposita, mas pode até depositar mais do que saca. Se você só espera, só exige sua relação familiar está fadada ao desgaste. Deposite, ofereça, elogie, admire, respeite.

 

Pratique o amor. Jesus disse que deveríamos amar até mesmo nossos inimigos, porque não nossos familiares? Amar não é uma coisa, uma sensação, amar é um verbo (eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos). Verbo tem a ver com ações e não com emoções. Aja com amor e eu garanto que as boas emoções voltarão e você resgatará aquilo que estava prestes a ser destruído. Precisamos criar dentro do nosso lar uma atmosfera de amor, uma linguagem de amor. Para tanto, devemos voltar nossos olhos para o que diz a Palavra de Deus.

 

1Coríntios 13:7, 8a “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba…”