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Ontem eu vi Isabela…

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ontem eu vi Isabela, ela estava num cruzamento da cidade próxima de um farol que se fechava. Ela correu até um carro bateu no vidro com insistência apenas pedia um trocado.

Ontem eu vi Isabela, ela estava sentada sozinha olhando o vazio enquanto passos apressados por ela passavam sem nada dizer.

Ela se sentia uma coisa, um objeto sem vida, inanimado, ignorado na rotina da vida.

Ontem eu vi Isabela seu sorriso já não era tão meigo, sua beleza se encardia na poluição da maldade de corações embrutecidos que não a enxergam viva.

Ela falava, cantava, chorava, mas todos estavam surdos.

Ontem eu vi Isabela, caminhava cansada sem direção, sem rumo, sem colo nem afeto. Procurava não algo, mas alguém, ela não procurava encontrar, mas ser encontrada.

Ontem eu vi Isabela, explorada, esquecida, adoecida num depósito amontoado de pessoas não lembradas. Estava viva, mas já não vivia, sua esperança fora roubada e seus sonhos mais lindos despedaçados.

Por aquela Isabela ninguém clamou por justiça, por aquela Isabela ninguém chorou, nem mesmo mãe, nem avós, nem políticos, nem artistas. Por ela as multidões não correram em socorro e sua vida morta se esvaía lenta e escandalosamente discreta.

Talvez amanhã já não mais a vejamos… talvez paradoxalmente ergueremos nossas vozes quando se for, talvez quando a dor da tragédia se materializar diante dos olhos e das consciências outrora cegas, talvez naquela hora lembremos que só quando se vê Isabela viva é que jamais uma Isabela morre em vão.

Você tem visto Isabela?

Parte II - As Sete leis da Semeadura

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

No livro de Ester encontramos sete leis de plantio ou de semeadura espiritual que se bem aprendidas podem nos capacitar a abençoar nossas casas, bairros e até nosso país.

Aqui vão as leis:

Lei número 1. Só se colhe o que se planta.

Ester empenhou-se por ser rainha: Ester 4:14 c “Quem sabe se para tal conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?”

Esta foi a pergunta de Mordecai a Ester quando ela demonstrou dúvida se deveria arriscar o próprio pescoço para salvar seu povo. A pergunta de Mordecai aponta para o fato de que ela teve um ano de preparo no “concurso miss Pérsia”, o texto nos diz que ao contrário de Daniel e seus companheiros que não comeram dos manjares do rei pagão, Ester tudo comeu. Podemos deduzir que está implícito no texto o desejo se tornar rainha, embora ela não tenha escolhido participar do “concurso”, ela tinha a escolha de simplesmente não se empenhar, seria por assim dizer apenas desclassificada. Mas, ela empenhou-se para se tornar rainha, agora deveria ser responsável pela posição adquirida. É a mesma lei para todos nós, escolhemos um casamento, plantamos isso, agora precisamos responsavelmente lidar com as lutas e desafios. Nos tornamos pais, maridos, funcionários, agora devemos agir a altura de nossa posição. Somos responsáveis por fazer diferença no mundo e nas pessoa que estão a nossa volta, seja na escola em que estudamos, ou em nosso trabalho. O ponto é: Quem sabe para esta conjuntura é que você foi colocado aonde esta?

Um exemplo muito interessante é o de  Helen Cadbury ela passou a seguir a Cristo ainda menina com apenas 12 anos de idade no ano de 1893 em Birmingham. Ela sempre carregava consigo um Novo Testamento de bolso, ela era tão consciente da importância de sua influência que em pouco tempo organizou com suas colegas de escola o que chamou de “Liga do Novo Testamento de Bolso”. Sua influência foi tão grande que a “liga” se tornou uma organização gigantesca de proporção internacional, hoje conhecida como Bridge.  É assim, colhemos o que plantamos, quando chega a hora da colheita é preciso ser responsável e agir a altura da posição em que nos encontramos, sem omissão, sem dissimulação, sem rebeldia, sem medo.

Lei número 2. Colhemos a mesma espécie que plantamos.

Se você se omitir outros se omitiram também: Est 4:14b “Tu e a casa de teu pai  perecereis”

Desde o livro do Gênesis a bíblia nos fala que cada semente produziria sua espécie. Bem, todos sabemos que se plantarmos sementes de abóboras não colheremos pepinos. A semente produz sempre segundo a sua espécie. Quando Mordecai disse a Ester “Tu e a casa de teu pai perecereis” ele estava dizendo que se ela se calasse, fosse omissa, colheria também o fruto da omissão de outros. Se ela decidisse não fazer nada, outros dariam a mesma resposta. Colhemos a mesma espécie, se plantarmos ódio, colheremos ódio, se plantarmos ciúmes, colheremos ciúmes, se plantarmos omissão, colheremos omissão.

Um vídeo-clipe muito interessante gravado em algum lugar da Índia mostra sob intensa chuva uma árvore colossal bloqueando uma estrada e atrapalhando ainda mais o já caótico transito Indiano. Todos reclamam, protestam contra a árvore, o trânsito, e em estado de contemplação apenas esperam que algo aconteça, ou que o governo faça algo. Até que inesperadamente um menino pequeno, franzino sob a forte chuva aproxima-se da árvore coloca suas pequeninas mãos no colossal tronco e começa a tentar empurrar a árvore. As pessoas ao redor olham com certo desdém a principio, alguns riem, zombam, mas o menino não desiste. Aos poucos outras crianças se juntam a ele, e então outros vão se juntando a ele até que finalmente uma multidão unida empurra e remove a árvore do caminho.

Se quisermos colher ação por parte das pessoas precisamos agir!

 

Lei número 3. Colhemos numa estação diferente daquela que plantamos.

Mordecai praticou o bem a uma criança colheu o grande benefício de uma rainha adulta.  

Mordecai quando plantava atos de bondade e zelo para com a órfã Ester não imaginava que um dia ela seria a rainha que livraria ele e todo o seu povo do extermínio. Mas, tudo isso levou tempo, na verdade levou anos!

Paciência é uma virtude que temos que aprender em nossos dias, quer desejemos ou não. Uma pesquisa mostrou que o paulistano perde por dia no transito 02h40min. Praticamente um mês da sua vida por ano fica no transito de São Paulo. Querendo ou não é preciso esperar pacientemente o escoamento do trafego. Por outro lado, quando chega no campo do plantio das virtudes plantamos pela manhã e queremos colher no fim do dia. Fazemos uma gentileza para alguém e esperamos uma resposta imediata. Absurdo! Nenhum fazendeiro planta pela manha e quer colher a tarde, paciência, plante agora para colher depois, para colher em outra estação.

Lei número 4. Colhemos mais do que plantamos.

Mordecai é marcado por sua bondade, fidelidade a Deus e a seu governante, no final do livro lemos que ele colheu muito mais do que plantou, o texto fala a respeito de um relatório da grandeza. O que quer plantemos sempre colheremos mais do que plantamos, seja para o bem ou para o mal. Discernir o que plantaremos é realmente importante. Pense,

um grão de milho, que pesa aproximadamente 0,3g, em poucos meses gera uma planta adulta, que produz de quinhentos a mil grãos. O que você quer plantar no dia a dia? Cuidado, lembre-se que você colherá muito mais do que plantou.

5. Lei número 5. Colhemos proporcionalmente ao que plantamos.

Se um grão de milho produz de quinhentos a mil grão, quer dizer que quanto mais plantar mais colherei! Se plantar uma semente de bondade, de gentileza, de carinho colherei proporcionalmente, neste campo se a semente for boa quanto mais melhor!

 

6. Lei 6. Colheremos o que é bom se perseverarmos, aquilo que é mau cresce sem nosso esforço.

Mordecai era um homem perseverante e não desistiu de conseguir uma solução para um sério problema, mas o mal nasceu sem esforço algum: O rei tirou o seu anel, deu-o a Hamã, adversário dos Judeus, seria o equivalente em nossos dias de dar um cheque em branco. Seja como for, parecia que para o mal tudo era mais fácil, mais rápido, mais eficiente. Mas, esta é a lei da semeadura, você não precisa plantar erva daninha no seu jardim, ela nasce. Mas para manter e garantir uma boa plantação você precisa perseverar, precisa cuidar de suas plantas, do solo, garantir que as pragas não arrasem sua plantação. Enfrentar as ervas daninhas faz parte, não desista e você terá uma boa colheita. A verdade é que sempre surgem ervas daninhas em tamanhos e formas diferentes. Algumas vezes podem ser palavras, outras podem ser pessoas atentando contra sua família ou seu trabalho. Independente do que sejam, persevere só assim se colhe aquilo que é bom.

Lei número 7. Não podemos fazer nada em relação a colheita do passado, mas podemos fazer algo em relação a colheita de hoje e de amanhã.

Mordecai e Ester eram exilados, por conta dos erros de outros. Ester era órfã, nada podiam fazer em relação ao passado, mas podiam fazer algo em relação a presente e ao futuro: Ester sob o risco de perder a vida disse a Mordecai: “Irei ter com o rei, se perecer pereci.”

Na vida de tempos em tempos cada a individuo, a cada nação, chega o momento de decidir se viverá com medo para sempre ou se enfrentará a situação. Ester optou por enfrentar a situação e venceu.

Muitas pessoas tem agido assim, e não apenas na história bíblica, mas em todos os lugares. Fiquei muito impressionado ao conhecer a história de Flor de Lis, uma carioca que adotou 45 crianças, e vive com elas em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ela conta que tudo começou quando viu crianças abusadas, abandonadas e atemorizadas e disse consigo mesma eu preciso fazer alguma coisa…

Talvez você não venha a adotar quarenta e cinco crianças ou uma que seja, mas todos devermos responder a pergunta: O que eu preciso fazer agora para plantar sementes de mudança? Talvez não seja algo tão grande ou tão heróico, como Ester, Mordecai ou Flor de Lis, talvez seja algo pequeno como um grão de milho, mas produzirá grandes resultados.

Vi uma entrevista com o jogador Ronaldo, perguntado sobre a seleção brasileira ele disse: “Só quero ajudar…” A matéria terminou com as seguintes palavras: “Bendito é o país que tem um fenômeno disposto a ajudar”

Sabe, você é um fenômeno de Deus, a questão é se você está disposto a ajudar? A tradição do Purim diz que Deus usa máscaras, talvez, mas uma coisa é certa Deus usa pessoas e quer usar você.  

As sete leis da semeadura

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No último sábado fui levar minha filha mais nova para a última dose de vacinação. (Puxa como o tempo passa rápido minha pequenina já está na última dose!) Bem, ao entrar no posto de vacinação me deparei com vários funcionários usando mascaras coloridas, uma maneira criativa e simpática de ganhar a confiança das crianças, deu certo. Minha pequenina estava relutante no inicio, mas assim que entrou e viu os funcionários sorrindo e as máscaras coloridas ficou muito a vontade. A enfermeira que estava conduzindo a vacinação disse: “Abra o bocão de jacaré!” E minha filha abriu uma boca tão grande que até me assustei com o tamanho.

Fiquei feliz com a criatividade daqueles funcionários que trabalhavam numa ensolarada tarde de sábado, vi que o Brasil é realmente um país abençoado, não só por sua beleza natural, mas pela simpatia de seu povo. E a notícia ainda melhor: 20 anos sem nenhum caso de poliomielite!

Mas, as mascaras coloridas me fizeram lembrar de uma festa judaica muito alegre, comemorada normalmente com a utilização de mascaras, a festa do Purim. Usam mascaras para celebrar que algumas vezes, Deus “usa” mascara, isto é ele está presente mesmo quando parece não estar.

Deus está presente mesmo nos momentos difíceis, quando nossas orações parecem não ter respostas.

Esta tradição é oriunda do livro de Ester, isso porque neste livro o nome de Deus não é citado nenhuma vez, mas a mão de Deus parece estar presente em cada detalhe tecendo sua bondosa providência.

O nome da festa deve-se ao fato de que um homem chamado Hamã inimigo dos Judeus e muito supersticioso. Embora conseguisse por meio de suborno uma autorização real para liquidar os Judeus lançou sortes para ver qual seria o melhor dia para o extermínio. A ironia da história é que no dia em que supostamente seria seu dia de sorte para a exterminar os Judeus, foi Hamã quem acabou executado, pior ainda, na forca que ele mesmo construiu. Purim é um nome que carrega certo sarcasmo contra os inimigos daqueles que servem a Deus. É como se dissesse: “A sorte sempre está do lado daqueles que estão do lado de Deus”.

Ester, cujo nome Hebraico é Hadassa, era órfã de pai e mãe e foi adotada ainda menina, alguns dizem que sua mãe morreu quando deu a luz, mas não sabemos de fato como se tornou órfã. O que sabemos é que fora adotada por Mordecai, ambos eram exilados e Ester passou a ser sua filha.  

A vida de Ester muda radicalmente quando Vasti então rainha recusou-se a mostrar sua beleza aos convidados do rei Assuero (Xerxes). Aquele ato criou um problema político muito sério para Assuero. Ele passara seis meses, reunido com várias autoridades da aristocracia Persa, mostrando quão poderoso era. Seu objetivo era organizar uma investida militar contra os Gregos, no final como a cereja do bolo de seu exibicionismo, ofereceu uma festa regada a muita bebida, durante a festa resolveu expor sua esposa como um troféu. Certamente o que ele exigia de Vasti não era nada decoroso, o que o rei não esperava aconteceu, Vasti se recusou a cumprir a ordem do real.

Um sério problema político, como o rei comandaria todos os seus líderes, súditos se não conseguia nem mesmo que sua mulher o obedecesse?  

Aconselhado, dissolveu seu relacionamento com Vasti, e para garantir que o rei não teria uma recaída, criaram uma espécie de concurso “miss Persa”. Ester foi eleita nova rainha e posteriormente arriscou a própria vida para salvar seu povo.

O livro de Ester sugere que muitos problemas que enfrentamos se relacionam com o que poderíamos chamar de lei de plantio ou de semeadura. Considere alguns paralelos:

Saul foi o primeiro rei de Israel, era Benjamita, deveria ter dado cabo dos Amalequitas e seu rei Agague, não fez. Anos e anos se passam e na história do livro temos Ester e Mordecai, ambos Benjamitas lidando com um Agagita, um Amalequita descendente direto de Agague, daí o título Agagita.

Pense sobre isso, muitos problemas na vida, numa família e até num país, são o resultado direto do plantio, das escolhas de alguém no passado. Como muitas crianças no passado colheram as conseqüências de problemas de saúde porque seus pais não zelaram por elas como deveriam.

No livro de Ester encontramos sete leis de plantio ou de semeadura espiritual que se bem aprendidas podem nos capacitar a abençoar nossas casas, bairros e até nosso país.

Nos próximos dias estarei postando as sete leis…