Qual foi a pior notícia que você já recebeu? Quando penso na pior noticia que já recebi, ainda sinto a mesma ânsia de vômito como se tivesse levado um violento soco no estômago. Quando penso na pior notícia que já ouvi, meu coração bate acelerado com uma mistura de medo, insegurança, impotência, incapacidade. Há notícias que não queremos receber, notícias que daríamos um braço ou até a própria vida para não ouvi-la, mas numa insistência brutal elas rompem nossas barreiras, nossos bloqueios, nos encontram em nossas trincheiras e sem dó, sem piedade nos sangram a alma. Sangue da alma, esse não se estanca facilmente, tem gente que sangra até morrer anêmico, pálido, triste e desconfiado. São muitos os punhais, as adagas que nos cortam com notícias indesejadas:
Quem te prometeu fidelidade na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença até que a morte os separe. Esses mesmos lábios quebram a promessa, juram e beijam os lábios que não são os teus.
Quem você pensava poder te curar, se curva diante da realidade cruel do improvável e dolorosamente te sentencia a anos, meses ou dias.
Quem você pensava multiplicar seus tesouros, seus recursos, míngua até que as palavras definem economicamente sua vida numa exclamação: falida! Todas estas notícias não se comparam com a notícia que receberam aqueles primeiros discípulos: É morto teu Senhor, mataram o autor da vida!
E testemunharam: o corpo morto de Jesus foi aprisionado numa mortalha com especiarias, depositado num túmulo frio, fechado com uma pedra e lacrado com o “inviolável” selo do império Romano. Esta foi a pior notícia que eles homens e mulheres poderiam ouvir, deixaram tudo para segui-lo. Familiares ficaram para trás, amigos, carreira, cidade, todos os vínculos e elos sociais se haviam partido e agora Ele estava morto.
Não me surpreende que mais tarde Pedro, ao falar do assunto em seu memorável discurso por ocasião da festa do pentecostes, tenha associado a morte de Jesus com grilhões e cadeias. É como se na mente de Pedro a morte fosse um caçador que apanha sua presa de tal modo que a encarcera e esta já não pode sair de lá. Não é assim que nos sentimos? Presos por circunstâncias sobre as quais não temos poder algum? O eco da notícia que não queríamos ouvir se repete vezes após vezes como o martelar incansável sobre uma bigorna… uma enxaqueca constante que não se vai. Prisioneiros, prisioneiros, prisioneiros! Tivesse a pior noticia do universo terminado com um Cristo morto, prisioneiro da morte todos nós apodreceríamos lenta e dolorosamente em nossa lepra… Porém, Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte… as barras de ferro da morte rangeram enquanto eram retorcidas, as correntes tilintavam enquanto arrebentavam diante do poder Deus, e Seu filho Jesus saiu de lá. Mas não saiu só, saiu convidando a todos nós para que levantemos de nossas mediocridades e lamentos. Saiu de lá como um pássaro que voa e nos convida a voar com ele. Saiu de lá para nos ensinar que a mais maldita de todas as notícias não se compara com boa notícia do evangelho. Ele vive! Ele vive! Esse som como de uma música que não cansa deve reverberar em cada neurônio, em cada célula do meu corpo. Nenhuma notícia é suficiente para mitigar a esperança viva que Jesus nos oferece: com Ele temos a certeza absoluta que amanhã de algum jeito inexplicável será melhor que hoje.
Por isso, me recuso a afogar minha esperança em lágrimas. Quando Jesus saiu daquele túmulo não saiu só, eu saí com Ele para uma nova vida. Venha o que vier, aconteça o que acontecer, Jesus Vive!