A Paz que podemos construir

           Barricadas nas ruas de Porto Príncipe, carro bomba explode em Bagdá, conflitos intermináveis na Faixa de Gaza. Ao contrário do que pensam alguns o Brasil não é o “jardim do édem”, tão pouco o guardião da paz. 

 

            Há um crescimento endêmico de violência que tem culminado na deterioração de nossa sociedade. Esta síndrome de pânico nos cerceia de tal maneira que trancados, atrás de nossas barras de ferro, limitados por cercas elétricas, por senhas de monitoramento eletrônico nos sentimos reféns. Não para menos, os assaltos, seqüestros, assassinatos, a violência esta por toda parte. Tornamo-nos espectadores desta condição insalubre que vitimiza a todos, crianças, idosos, ricos e pobres. Como se não bastasse este estado de sítio, a violência doméstica em suas múltiplas versões como violência física, sexual, psicológica ou incúria também faz parte de uma triste realidade.

          No caso da violência psicológica ou emocional, em alguns casos pode até ser mais prejudicial que a física. Rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito são elementos presentes neste tipo de agressão. Trata-se de uma violência que não deixa marcas físicas visíveis, mas emocionalmente abre feridas permanentes. Alguns agressores verbais disparam contra membros da família, nos momentos mais constrangedores. A violência que se traduz em palavras -como tiros não mais retornam-,    e na realidade, nesta categoria muitos passam de espectadores a coadjuvantes.

            Recentemente li um artigo sobre as Ilhas Salomão no centro oeste da Oceania. Em algumas pequenas vilas eles têm uma estranha crença, se uma árvore é muito grossa para ser derrubada com um machado, eles gritam com ela durante trinta dias, acreditam que depois deste período de exposição aos gritos a árvore morre e cai. Estes inocentes supersticiosos nativos que não desfrutam de nossa tecnologia… Nenhum de nós gritaria com as árvores, não… Nossa prática é outra, gritamos com o cônjuge, gritamos ao telefone, gritamos com nossos filhos. Alguns serrando o punho gritam até com Deus, gritamos com o motorista do outro carro. Nós educados, civilizados, não derrubamos árvores com nossos gritos, preferimos uma outra modalidade.

Sabemos que tiros, pedras, quebram nossos ossos, ferem nosso corpo, mas nossos gritos quebram e ferem o coração.  Talvez não possamos fazer muito pela paz no mundo, ou mesmo no Brasil, mas podemos começar com a paz a partir de nós mesmos. Afinal de contas esta é única parte do mundo sobre qual podemos efetivamente decidir como será.

            Nas Palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos no capítulo 12,

            E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” 

Tags: , ,

6 comentários para “A Paz que podemos construir”

  1. Simone disse:

    Excelente reflexão.
    Só não concordo inteiramente com esse trecho (…)
    Talvez não possamos fazer muito pela paz no mundo, ou mesmo no Brasil, mas podemos começar com a paz a partir de nós mesmos. Afinal de contas esta é única parte do mundo sobre qual podemos efetivamente decidir como será.”

    Se nós praticarmos Atos 1:8, certamente estaremos através da igreja, dando um grande passo, pq o caminho já foi preparado pelo Mestre.

    “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os Confins da Terra.”

    Que Deus abençoe ricamente o senhor, sua esposa, filhos e ministério.

  2. leandro disse:

    Bom dia Simone,
    Graça de Jesus sobre você! Obrigado por sua mensagem neste post…Creio que estamos na mesma página, mas apenas olhando o “diamante” por diferentes ângulos.
    Abraço,

  3. Silvia disse:

    Bem propicia essa palavra Rev. Leandro, acabei praticamente de esbravejar com o meu marido e com a minha filha de 02 anos.
    No inicio da leitura, já julguei, mais que nativos ignorantes, e no final a ignorante era eu mesma.
    Deus continue abençando ricamente o seu ministério que com certeza abençoa muitas vidas, como a minha por exemplo, tratarei de me reconciliar já.
    Um abraço, que a graça do Senhor Jesus permaneça conosco.

  4. leandro disse:

    Obrigado por sua mensagem Silvia,

    E você está certa: Que a graça do Senhor permaneça conosco!
    Leandro Tarrataca

  5. Simone disse:

    Pastor Leandro,

    É maravilhoso como Deus nos mostra aquilo que Ele quer que saibamos.
    Quando comentei a reflexão acima e recebi a resposta, a principio não entendi. Somente agora depois de quase 3 meses, pude perceber que de fato não havia me dado conta que através do ministério dirigido pelo senhor há a demonstração clara da vivência do mandamento de Jesus, descrito naquela página.
    Com isso quero me desculpar pelo comentário imaturo.
    Desejo que mais pessoas de Deus possam ser usadas assim como o Senhor tem te usado.

    Que a graça de Deus esteja sobre todas as suas ações.

    Em Cristo

  6. leandro disse:

    Paz e Saúde Simone!
    Obrigado por sua mensagem e por seu coração sempre sincero.
    Abraço,
    Leandro Tarrataca

Deixe um comentário

Security Code: