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“Se Eu não tivesse vindo…”

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

“Se Eu não tivesse vindo…”

 

Estas cinco palavras de Jesus encontram-se no quarto evangelho; Ele retorna aqui a um tema muito importante: “Conhecimento e privilégio carregam consigo responsabilidade”. O ponto era simples e contundente: enquanto Jesus não tinha se encarnado, se feito homem, as pessoas não conheciam plenamente a Deus. Não sabiam com certeza absoluta como seria o tipo de vida que Deus deseja dos homens. Antes da vinda de Jesus, os homens poderiam sinceramente esconder-se atrás de sua ignorância.

 

Mas, e se Ele não tivesse vindo?

O último livro da bíblia seria Malaquias e a última palavra seria ‘maldição’.

Se Ele não tivesse vindo, o Salmo 23 seria apenas uma bela poesia, mas longe de nossa realidade pois não conheceríamos o Pastor.

Se Ele não tivesse vindo, o Servo Sofredor do capítulo 53 de Isaías seria uma figura misteriosa como fora para o eunuco Etíope.

 

Se Ele não tivesse vindo…

Não teríamos Novo Testamento

Não teríamos Seus milagres

O paralítico de Cafarnaum morreria sobre seu leito.

O enfermo do tanque de Betesda que sofrera por 38 anos agonizaria até o fim de seus dias.

Os dez leprosos seriam devorados por sua lepra até a sepultura.

O cego de Jericó continuaria sendo um pedinte em densas trevas.

A viúva de Naim, em lágrimas, sepultaria seu filho.

Marta e Maria continuariam a lamentar a morte de Lázaro porque não aconteceria nenhuma ressurreição.

A tempestade chegaria no limite de sua fúria porque não haveria Mestre para dizer: Aquieta-te, acalma-te!

O jovenzinho com cinco pães e poucos peixes nunca aprenderia como pequenas coisas são grandes nas mãos de Deus.

 

Se Ele não tivesse vindo… Não haveria a história de Belém, sábios do Oriente, não haveria Natal….não haveria esperança porque ninguém poderia nos falar de nossa doença chamada pecado, de sua cura chamada perdão e do poder que Cristo nos oferece para vivermos à altura do privilégio de conhecermos que Ele veio.  

 

Feliz Natal!

Natal, o bendito mistério da encarnação

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Não se deixe enganar pelas músicas previsíveis, ou pelas tradicionais decorações, porque se existe algo que não é obvio é o natal. É dispensável dizer que natal aponta para nascimento, e claro o nascimento de Jesus. Isso é obvio! Cuidado…se existe algo que não é obvio é o nascimento de Jesus, ou para ser mais preciso sua encarnação.  

 

Isso porque Jesus Cristo é num certo sentido enigmático, é em si mesmo um mistério. Eu sei, Ele veio para revelar o pai, e o fêz de maneira extraordinária. Mas, Ele é um mistério, paradoxalmente um mistério revelado. Isto é, olhamos o mistério, sabemos quem é, mas não o compreendemos em sua plenitude. Aliás, hoje sua historicidade já não é questionada pelos estudiosos mais sérios, mas o que existe de especulação em torno dela… beira a alucinação esquizofrênica. Alguns se denominam  re-construcionistas, estes artificiosamente produzem relatos estranhíssimos supostamente em busca de um Jesus histórico. Não sei se seria o caso de Faber-Kaiser. Ele afirma em seu livro que Jesus viveu e morreu na Cashimira, que Jesus se tornou um monge budista aos 29 anos entre outras coisas que o próprio autor reconhece que não pode provar. Claro, o autor em questão também escreveu artigos sob o título “Em busca dos Extraterrestres”… No caso de Jesus, quanta evidência histórica ele apresenta? ZERO!

Por que tanta especulação em torno de Jesus? Por que tanto questionamento? Porque em si mesmo Jesus é um mistério. Pense, até mesmo por ocasião de sua encarnação, a jovem Maria, do alto de sua virgindade, pergunta ao anjo como seria possível engravidar sem envolver-se sexualmente com algum homem. O anjo Gabriel responde: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com sua sombra (…)”

Reconheçamos, até mesmo sua resposta é misteriosa! Sabemos “o que” acontecerá, mas não entendemos totalmente.  Onde esteve Jesus dos 12 aos 30 anos? Não sei! Posso especular, posso oferecer uma resposta teológica, mas na verdade não sei…é um mistério. O consolo é que Paulo, um dos homens mais brilhantes que caminhou por esta terra, cuja mente estava impregnada de revelações especiais de Deus disse:

“Evidentemente, GRANDE é o mistério da piedade:

Aquele que foi manifestado na carne

Foi justificado em espírito,

Contemplado por anjos,

Pregado entre os gentios,

Crido no mundo,

Recebido na glória.”

Timóteo capítulo 3:16

 

Este trecho que provavelmente era um hino cantado por Cristãos para expressar sua fé e doutrina, é usado aqui para apresentar a grandeza do mistério da encarnação. O curioso é que até mesmo este texto que fala do mistério já começa com um mistério, isso porque há um debate na área da critica textual a respeito de qual seria a melhor tradução, “Aquele” ou “Deus” se manifestou em carne? O que acontece é que as duas palavras na língua grega são bastante semelhantes, e existem dois grupos de documentos gregos distintos um que apóia “Aquele” e outro que apóia “Deus”.

E assim entramos no GRANDE mistério da Piedade. É claro, que seja qual for a opção da tradução Jesus é Deus em carne…Ele é  o mistério revelado, sabemos “o que”, embora não compreendamos totalmente. A encarnação de Cristo é o milagre da união de duas naturezas, divina e humana sem se misturarem, e sem produzir qualquer esquizofrenia ou bipolaridade em sua pessoa. É Deus, é homem e ponto, eu sei, embora não compreenda totalmente. O que sei é que as músicas, as decorações, as promoções, podem ser previsíveis e óbvias, mas a encarnação de Jesus é um maravilhoso e delicioso mistério. Penso que na encarnação encontramos algumas lições importantes:

 

  1. Encarnação. Deus se manifestou na carne humana da pessoa de Jesus Cristo.  Implicação: “Deus escolheu se manifestar através da humanidade.”  Que Deus deseja se manifesta por meio da humanidade não é um ensino novo e exclusivo do Novo Testamento, considere:

 a)      Homem e Mulher. Ambos criados a Imagem de Deus. Gênesis 1:26.

b)      Anjos revelavam a Deus em manifestações reconhecidamente humanas no Antigo Testamento (O caso clássico dos pervertidos habitantes de Sodoma e Gomorra que desejaram sodomizá-los Gen 19:1-5)

c)      Os Antropomorfismos. Liguagem humana para descrever atributos divinos, olhos de Deus, sua onisciência seu conhecimento; o braço de Deus, sua onipotência.

Também o Novo Testamento demonstra que Deus se revela por meio de sua providência e também da instrumentalidade humana. O ápice, o clímax o auge de tudo isso é encontrado em Jesus Cristo. No natal celebramos este desejo santo de Deus de usar gente para produzir milagres indizíveis.

O Pão nosso de cada dia, é um exemplo, o homem do campo planta o grão, do grão se faz farinha, a farinha vira pão e chega até nós, é providência divina, mas também é instrumentalidade humana.

 Assim a encarnação é…

saber que o fraco nele é forte;

Que o poder se aperfeiçoa na fraqueza;

Que aquele que está em nós é mais poderoso do que aquele que está no mundo;

É ter a certeza de que quem chora será consolado;

É saber pela fé, sem necessariamente compreender tudo…

 

  1. Aplicação da encarnação para cada um de Nós.

     “Encarnar é tornar humano”…

      Jesus disse que assim como o pai o enviou a este mundo, ele também nos enviava. O convite é tornar-mos palpável e visível o caráter de Deus.

a)      Somos a carta de Cristo (2 Cor 3:2,3)

b)      Somos o vaso que carrega o tesouro que é Cristo (2 Cor 4:7, 10)

      Como Cristãos algumas vezes nos preocupamos mais com a comunicação da palavra de Deus do que com a revelação do caráter de Deus. Mas, lembre-se para a comunicação de palavras Deus usa até as mulas, mas para a revelação do seu caráter Deus usa seus filhos. Natal, o bendito mistério da encarnação!

 

 Por tudo isso, Feliz Natal!

Leandro Tarrataca