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Mestra do bem

quinta-feira, 18 de março de 2010

Tenho pregado continuamente sobre as “Mestras do Bem” que encontramos na Bíblia. Este assunto me é muito grato, pois sempre fui cercado de mulheres cuja envergadura faria marmanjos rubrar. Minha avó, dona Augusta, me influenciou contando seus casos, uma mulher com as mãos cheias de calos sustentou seus cinco filhos cortando cana. Minha mãe, dona Hilda, que todos os dias se levantava às 4:00 horas da manhã para sustentar seus dois filhos. E claro, minha esposa e companheira Julie ajudadora com “A”, sim maiúsculo! Por essas e tantas outras mulheres amigas que apóiam meu ministério, quero compartilhar a história de uma fascinante Mestra do Bem.

 

Ela era da cidade de Jope, uma cidade muito antiga citada em escritos egípcios e no Antigo Testamento aparece no livro de Josué como herança da tribo de Dã; já no livro de Jonas é a cidade portuária em que o profeta fujão embarca para ir em direção oposta àquela comissionada por Deus. 

Na mitologia grega, era a cidade em que, segundo a lenda, Perseu matou o monstro, considerada cidade de Zeus ou Júpiter para os romanos. As lendas em torno da luta de Júpiter e seu pai Vênus (a quem fez tomar uma poção e trazer de volta a vida seus irmãos) permeava aquela cidade que nos dias apostólicos era culturalmente mestiça. “Júpiter trouxe alguém de volta à vida!” dizia o povo daquele lugar – mas, nunca ninguém vira tal façanha. Para eles, Júpiter era o Senhor daquele lugar.

A cidade de Jope existe até hoje embora seja chamada de Jafa um subúrbio de Tel Aviv em Israel. Nessa cidade de mitos lendas e tradições uma mulher se destaca de modo extraordinário, seu nome Tabita ou Dorcas.

 

É digno de nota que após o fenômeno do pentecostes, em que as pessoas falaram em outros idiomas e dialetos, Dorcas é a segunda mulher citada nominalmente no livro de Atos. A primeira foi Safira, mentirosa, dissimulada, enganadora, pensou que poderia enganar até Deus, colheu o fruto de sua dissimulação, a morte.

Dorcas, por outro lado é apresentada como alguém diferente, pessoa querida, singular, de fato, é única vez que o feminino de “discípulo”, “discípula” é utilizado em todo no Novo Testamento. Porque ela era realmente alguém singular, a palavra discípula significa aprendiz como bem sabemos, Dorcas era uma mulher que não vivia acidentalmente, sabia que tinha propósito e vivia para conhecer o autor desse propósito.

Sobre seu nome, como morava em uma cidade portuária naturalmente os habitantes tinham um nome hebraico e outro grego ou latino, esse era seu caso. Embora haja um debate sobre a origem de seu nome “Tabita”, se siríaco antigo ou aramaico, Lucas o autor do livro de Atos nos ajuda dizendo que a tradução do nome é Dorcas, em ambos os casos significa gazela. Na cultura judaica antiga e entre outros povos a gazela era sinônimo de beleza e graça, essa é a razão por que no livro de Cantares a noiva se refere ao noivo assim: “O meu amado é como uma gazela”. Seria o equivalente em nossa língua e costume uma noiva dizer: O meu noivo é um gato…

 

Provavelmente Dorcas fosse uma mulher bonita, graciosa, no entanto sua grande virtude não estava na efemeridade da beleza física.

Era uma mulher plena de boas obras!

 

Ela investia sua vida em atos de carinho, gentileza e amor. Sua alma transbordava do amor de Deus e alcançava aqueles que estavam à sua volta. Fico feliz que Lucas, o autor do livro, tenha feito distinção entre boas obras e esmolas.

 

A intenção do autor era nos apresentar que:

  1. Boas obras: Não eram apenas atos de generosidade para com os pobres, mas um estilo de vida. Ela ocupava-se com o que era bom, seu estilo de vida podia ser definido como bom. Se Dorcas dirigisse um carro, seria admirada pelos cuidados no trânsito. Fazer aquilo que é bom, ser alguém do bem era sua marca.
  2. Esmolas: Não eram moedas riscadas ou notas rasgadas oferecidas aos paupérrimos de seus dias. Eram atos de compaixão, uma profunda consciência de beneficência para com os mais pobres.

 

A Bíblia na Linguagem de Hoje, verte o texto assim:

“Ela usava todo o seu tempo fazendo o bem e ajudando os pobres.”

Esta distinção é importante porque fazer o bem não é apenas socorrer aos mais carentes, mas viver um estilo de vida que faz bem aos que estão à nossa volta. Não brigar no trânsito, não falar da vida alheia, pagar o que se deve, tudo isso é fazer o bem…

Ajudar aos pobres já é uma outra coisa, é outro lado desta moeda.

No contexto da passagem, sabemos que seu jeito de dar “esmolas” ou socorrer aos carentes, era ocupando-se com as viúvas. Naqueles dias as viúvas representavam um dos grupos mais carentes econômica e socialmente. Dorcas se ocupava com elas, ela era costureira, fazia vestidos e túnicas sob medida para aquelas mulheres carentes e desprezadas. Não é de surpreender que Lucas diga que Dorcas era uma mulher notável!

 

Não resisto me fazer a pergunta: Pelo que as pessoas nos notam? Somos notáveis em que? Podemos não nos considerar notáveis em coisa alguma, mas todos os dias somos notados, no bairro em que moramos, na igreja que freqüentamos, no lugar em que trabalhos. Qual é a nossa marca?

Dorcas era notável:

Dorcas era notável por sua clareza doutrinária: discípula

Dorcas era notável por suas boas obras: ocupava-se com o que era bom.

Dorcas era notável por suas esmolas: seus atos de compaixão para com os mais pobres.

 

O verbo aqui na língua original para descrever suas ações é imperfeito ativo, quer dizer que fazer o bem era seu hábito…

 

Bom, a história de Dorcas não termina aqui, mas me parece ser uma boa hora para uma pausa, quem sabe um café e pensar sobre nossos hábitos… Afinal de contas, a vida dessa mestra do bem mostrou que não Júpiter mas Jesus era o Senhor daquele lugar.