Existem vários modelos que nós podemos encontrar ao longo da história, modelos de homens e mulheres que se dedicaram à fé cristã. Quando estudamos Tessalonicenses, nós aprendemos que aquela igreja se tornou modelo, mas aquela igreja também tinha os seus modelos: Jesus e os apóstolos, e, quando nós pensamos nos apóstolos, precisamos entender o que os motivava, existia algo, existia uma visão que fazia com que eles se mantivessem ativos, que fazia com que eles continuassem indo adiante.

Recentemente na história moderna, tivemos um homem também de visão: Martin Luther King. Ele trouxe de fato a liberdade cultural e porque não dizer espiritual sobre a sua geração e aqueles que vieram depois dela; em seu famoso discurso conhecido como “Eu tenho um sonho” , nós encontramos exatamente isto, quão poderosa pode ser a visão de alguém e esta visão poderosa nos serve sempre de modelo, de exemplo para irmos adiante. Permita-me compartilhar alguns trechos do discurso de Martin Luther King com você, ele diz assim :

  “Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que, embora nós enfrentemos a dificuldade de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho; é um sonho profundamente enraizado no sonho americano; eu tenho sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença, nós celebraremos esta verdade e elas serão claras para todos: que os homens são criados iguais; eu tenho um sonho de que um dia, nas colunas vermelhas da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade; eu tenho um sonho de que um dia, até mesmo no estado do Mississipi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão será transformado em oásis de liberdade e justiça; eu tenho um sonho de que minhas quatro pequenas crianças vão viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter; eu tenho um sonho hoje; eu tenho um sonho de que um dia todo vale será exaltado e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados, e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta” , e depois ele continua e conclui: “livre afinal, livre afinal” .

A visão, o sonho. O sonho deste homem levou milhares de pessoas a lutarem pela igualdade racial. A visão, o sonho das pessoas é algo muito poderoso. É claro que com os milhares de livros de auto ajuda, o assunto de “o poder da visão” tem de certa forma sido tratado como uma balela qualquer, outros ainda podem considerar que a visão é simplesmente um argumento da administração moderna, calcada na especulação humana, mas, quando consideramos a palavra de Deus, nós vemos como o poder da visão é a fonte de motivação para aqueles que nEle crêem.

Vejamos por exemplo o apóstolo Paulo em II Coríntios 11:24-31. Diz assim a palavra de Deus:

“ 24 Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; 25 Fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; 26 Em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; 27 Em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez, 28 Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. 29 Quem enfraquece que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? 30 Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 31 O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é eternamente bendito, sabe que não minto”.

Esta é uma passagem bastante interessante, o apóstolo Paulo apresenta todas as lutas que ele enfrentou, e, ele começa dizendo que certa vez sofreu uma quarentena de açoites menos um. Em Deuteronômio 25:1-3 era estabelecido que o número máximo de açoites legalmente administrados seria de quarenta. Nos dia de Paulo, os judeus reduziram para um a menos, para que não ultrapassasse, mesmo que sem querer, o número estabelecido pela lei. É importante lembrar que Jesus já havia advertido que os seus seguidores corriam o risco de sofrerem este tipo de punição em Mateus 10:17, a palavra de Deus diz assim:

“E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas”.

Este era um perigo iminente e real para aqueles que seguiam a Cristo nos dias do apóstolo Paulo e foi exatamente isto que aconteceu, quarenta vezes ele sofreu os açoites menos um. Talvez este sofrimento já seria suficiente para que alguém desistisse, mas o apóstolo Paulo não desistiu, não desistiu porque ele tinha uma visão, ele tinha algo diante de si que o continuava atraindo, que fazia com que ele continuasse indo adiante.

Mas o sofrimento dele não parou por aí, ele diz no v. 25 que foi “fustigado com varas”. Esta é uma referência romana ao método de punir com varas flexíveis que eram amarradas umas às outras; nós encontramos um exemplo desta prática em Atos 16:22, 23, quando os apóstolos Paulo e Silas foram tomados violentamente pela multidão que, rasgando as suas vestes, os fustigaram violentamente e lançaram no cárcere, e lá pelas tantas hora da noite, eles começam a louvar a Deus. Por que ele não desistiu quando foi fustigado com varas? Porque ele tinha uma visão, existia algo diante dele que não permitia que ele desistisse. Mas ele continua, ele disse que uma vez foi apedrejado, isso ocorreu em Listra, como podemos ver em Atos 14:19, 20. Os judeus incrédulos instigaram o povo contra Paulo que depois de o apedrejarem, consideraram-no como morto e o jogaram para fora da cidade. Imagine o grau de violência que este homem estava enfrentando, apedrejado a ponto de ser considerado como morto, jogado para fora da cidade. Por que ele não desistiu ali? Agora ele já havia sofrido açoites, já havia sido fustigado com varas, já havia sido apedrejado, mas a visão é maior que ele, ele não pode desistir.

Mas o sofrimento dele não pára por aí. O apóstolo registra aqui que por pelo menos três vezes ele sofreu naufrágios e isso certamente não inclui a sua viagem como prisioneiro de Roma, no capítulo 27 de Atos, visto que esta viagem ainda não havia acontecido na ocasião que ele faz este relato. E mesmo assim ele não desistiu. Ele diz que ele passou um dia e uma noite na voragem do mar, certamente em um destes naufrágios, ele deve ter sofrido de forma tão terrível, deve ter sido um naufrágio tão severo, que passou um dia e uma noite flutuando sobre os destroços do navio, aguardando, à deriva que, de alguma forma alguém pudesse resgatá-lo. As pessoas que sofrem este tipo de acidente, naufrágios, normalmente dizem: “nunca mais”. Mas, por que Paulo não desistiu? Paulo tem uma visão clara daquilo que Deus espera dele, ele não pode desistir.

No capítulo 11 vv. 26 e 27, o apóstolo então diz: “muitas vezes em perigos”. Estes perigos estão ligados diretamente com as viagens, note que ele se refere aqui a “perigos de rios” e a “perigos de salteadores”; estes eram problemas reais para viajantes do mundo antigo. Por exemplo, a viagem de Paulo de Perge a Antioquia da Psídia, (Atos 13:14) é um exemplo claro dos riscos que ele enfrentava, porque, para fazer esta viagem, o apóstolo tinha de atravessar uma área conhecida por ser infestada por ladrões, as conhecidas “montanhas Taurus”, além de ter de atravessar pelo menos dois rios perigosíssimos de águas caudalosas e, como se não bastasse, ele estava sujeito ao perigo dos próprios patrícios, isto é, os judeus. Ele estava em perigo pelos não-judeus, isto é, os gentios, mas isso não era tudo. Os falsos irmãos ofereciam riscos, aqueles que pareciam ser cristãos mas não eram, como por exemplo os falsos apóstolos, os judaizantes apresentados em Gálatas 2:4. Além de todo este sofrimento que nós podemos ver (sofrimentos físicos), Paulo fala dos trabalhos exaustivos, das noites sem dormir, da fome, da sede, da abstinência forçosa, do frio, da nudez e, por favor, não deixe de notar, não deixe de escapar aos seus olhos a expressão “muitas vezes”. Mas, além de tudo isso, ele ainda tinha um sofrimento interior. Embora isso já fosse razão suficiente para desistir, Paulo não desistiu, ele tinha uma visão que o levava a ir adiante.

ocê talvez esteja enfrentando problemas e esteja pensando em desistir. Quero dizer que o que Deus espera de você é muito claro: você não pode desistir, Deus espera que você seja fiel e a fidelidade deve te levar adiante.

Recomende este site!